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Hospitais privados: o cenário atual de recuperação e as perspectivas para 2022

Com a desaceleração dos casos graves por Covid-19, os hospitais privados veem o retorno das demandas hospitalares e cirurgias eletivas no terceiro trimestre de 2021



Após dois anos de crise sanitária, a rentabilidade dos hospitais privados demonstra estar retornando aos patamares pré-pandemia. É o que indica a 8º nota técnica trimestral da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP).

Com dados coletados até setembro e disponibilizados em dezembro de 2021, especialistas analisam no Observatório ANAHP os aspectos atuais da pandemia observados no terceiro trimestre e suas implicações para o sistema de saúde.

Entre as principais observações, Ary Ribeiro, vice-presidente do conselho de administração da ANAHP afirma que “olhando até setembro, há um aumento da demanda hospitalar em padrão pré-pandemia, recuperação de alguns indicadores hospitalares e permanência da tendência do prazo médio de recebimento. Mas, em geral, estamos caminhando para uma melhora significativa”.

A estimativa é baseada em uma série de dados encontrados no perfil epidemiológico feito pela ANAHP no terceiro trimestre de 2021. O debate contou ainda com André Medici, economista social e de saúde; Rosana Richtmann, infectologista do Hospital Emílio Ribas e coordenadora de Infectologia do Grupo Santa Joana; e Teresa Navarro, médica intensivista e subsecretária de saúde do Rio de Janeiro. Confira alguns destaques:

O setor de saúde no terceiro trimestre

  • Entre os motivos de internações, houve uma queda das moléstias infecciosas, cujas taxas percentuais estavam em 7.7 em 2020 e caíram para 5.4 em 2021.

  • No que se refere às cirurgias, houve retorno da demanda considerada normal, como antes de 2020. Isso porque houve um aumento de 4 pontos percentuais (52,5% para 56,4%) de pacientes submetidos a cirurgias durante o terceiro trimestre de 2021.

  • A taxa de ocupação operacional, que corresponde ao percentual de leitos ocupados à meia-noite, costumava ser de 69% em 2020 e subiu para 75% em 2021. A mudança seria um indicativo da recuperação da demanda hospitalar, que tinha sido reduzida em 2020.

  • Já quanto à ocupação dos leitos por pacientes Covid-19 e a disponibilidade dos leitos, houve uma redução progressiva na necessidade de oferecer os leitos e da ocupação. O mês de abril de 2021 foi o período com maior número de leitos disponibilizados, com 74 mil leitos de apartamento e enfermaria por dia e 66 mil leitos de UTI por dia.

  • Além disso, em 2020 a tendência dos pacientes mais graves com Covid-19 era de aumentar o tempo médio de permanência (4.6 dias). Entretanto, no terceiro trimestre de 2021 a taxa se aproxima dos valores pré-pandemia, com 4.2 dias. O tempo de permanência também foi influenciado pelas diferentes variantes e coberturas vacinais. Logo, observa-se que o público de 15 a 29 anos mudou a média de permanência de 6.5 dias para uma média de 8.4.

Por fim, a mortalidade global dos hospitais da ANAHP apresentaram queda de 3.5 para 2.8. Demais aspectos, como a taxa de pacientes com suspeita de Covid-19, testes positivos e pacientes internados por infecções do coronavírus também se apresentam em declínio.

O que esperar para 2022

No que se refere ao ano que começa, “com a redução dos casos de Covid e todos os outros dados, vemos que existe uma tendência à recuperação progressiva da normalidade, mas talvez não seja algo tão tranquilo”, afirmou o economista André Medici. Isso porque, segundo os indicadores, o cenário econômico brasileiro pode não ser dos melhores em 2022.

Além disso, há ainda o fator ômicron. A variante segue a ser desvendada, mas por ora “o cenário é de uma variante de grande transmissibilidade. Em duas semanas, aumentou 255% dos casos de ômicron na África do Sul”, explicou a infectologista Rosana Richtmann.

Além disso, um segundo dado importante é sobre o risco de reinfecção devido a nova variante. Nessa questão, Rosana usa como exemplo o caso da África do Sul, onde cerca de 35% das pessoas foram vacinadas com a primeira dose, mas com as altas taxas circulação do vírus, a população sul-africana já conta com 60 a 70% de soroprevalência, “então não era para eles estarem se reinfectando se fossemos acreditar na imunidade gerada pela doença”, afirma a infectologista.

No Brasil, já se observa a diminuição de hospitalizações e óbitos, tendência esperada pelos especialistas. Entretanto, ainda há o desafio de reduzir a circulação dos coronavírus no país, com o objetivo de evitar o surgimento de novas variantes de preocupação.

Nessa questão, a médica intensivista Teresa Navarro, defende que “nosso país tem uma característica incrível de vacinar, mas os dados precisam o tempo todo estar sendo revisados, e é nisso que acreditamos nos próximos meses. Uma vacinação efetiva e estar pronto para qualquer coisa”.

A nota técnica referente ao quarto trimestre de 2021 está prevista para ser publicada em fevereiro de 2022.



Fonte: Futuro da Saúde